Dois fatores que derrubam peça em planta e quase ninguém menciona.
Absorção de umidade. Nylon absorve água do
ambiente, incha e perde rigidez: o PA6-CF absorve 2,35%, contra
0,88% do PAHT-CF e 0,37% do PET-CF. Em ambiente
portuário, de maresia ou de lavagem frequente, isso muda a cota e o comportamento da peça ao
longo do tempo. Quando o ambiente é úmido e a peça precisa de nylon, indicamos o PAHT-CF, que
absorve menos de metade e mantém a propriedade mecânica com umidade. Quando não precisa ser
nylon, o PET-CF absorve menos ainda.
Ataque químico. Soda, ácido, cloro, solvente e
óleo quente afetam cada polímero de forma diferente, e não existe material que resista a tudo.
Os nylons com fibra, por exemplo, aguentam bem óleo e graxa, mas não resistem a ácido
nem a álcali. Numa planta de celulose isso elimina o material de boa parte das
aplicações, por mais resistente que ele seja mecanicamente.
Informe na consulta o que a peça encontra em serviço. Inclua o produto de limpeza e
sanitização, que quase sempre é esquecido e é o que mais degrada peça em indústria de celulose
e alimentícia.
Fluência sob carga constante. Polímero sob carga
permanente deforma lentamente, mesmo abaixo do limite de resistência, e o efeito acelera com
temperatura. Para suporte que fica carregado o tempo todo, isso pesa mais que a resistência
de catálogo, e entra na avaliação.
O que "±0,2 mm" quer dizer na prática.
É a variação máxima esperada entre a cota do projeto e a peça
pronta, a mesma lógica do desenho técnico que você já usa. Para comparação: a espessura de
duas folhas de papel é cerca de 0,2 mm.
Isso não significa peça diferente a cada produção.
A partir do mesmo arquivo e dos mesmos parâmetros, as peças saem iguais entre si. Arquivo e
parâmetros ficam registrados junto com o projeto, para que a segunda encomenda seja idêntica
à primeira.
Quando a aplicação exige mais precisão que isso (furo de
rolamento, ajuste H7, face de vedação), a região crítica é usinada depois da
impressão, e aí a tolerância passa a ser a da usinagem. Isso entra no orçamento e é
dito antes, não depois.