Capacidades

O que conseguimos fazer, e com que precisão.

Especificação técnica sem adjetivo. Se o que você precisa está fora deste envelope, dizemos antes de orçar.

Envelope de produção
256 mm 256 mm Z 256 mm

Volume útil por peça: 256 × 256 × 256 mm nominal. Em produção com troca de cor ou material, a torre de purga ocupa área da mesa, o que reduz X e Y, não a altura. Peça que use quase todo o volume é avaliada caso a caso. Peça maior a gente resolve dividindo em módulos com encaixe e união estrutural. É solução comum em gabarito e dispositivo, desde que a junta não fique na região de maior solicitação.

Parque com produção paralela: lote sai em frentes simultâneas e, em urgência, a peça é realocada sem reiniciar a fila.

FDM industrialProcesso
0,4 mmBico padrão
Materiais
Duas temperaturas que não se confundem. O bico da impressora trabalha até 300 °C: é o calor que funde o filamento durante a produção. A coluna HDT abaixo é outra coisa: é a temperatura que a peça pronta suporta em serviço, sob carga, sem perder forma. É essa que importa para a sua aplicação, e é sempre muito menor que a do bico.

A escolha do material vem da aplicação, não do preço. Temperatura de serviço, carga, contato químico e exposição a UV definem o que serve.

MaterialTemp. de serviço
HDT @1,8 MPa
Tração X-YTração Z Rigidez X-YUVAplicação típica
PLA Basic54 °C35 MPa 31 MPa2,58 GPa NãoProtótipo, gabarito de bancada
PETG Basic68 °C51 MPa 35 MPa2,78 GPa ParcialProteção, suporte, contato com água
ASA92 °C37 MPa 31 MPa2,45 GPa SimPeça exposta ao tempo e ao sol
ABS84 °C33 MPa 28 MPa2,20 GPa NãoPeça interna, boa usinabilidade
PC Basic117 °C55 MPa 34 MPa2,11 GPa ParcialAlta temperatura e impacto
PA6-CF (nylon + fibra)164 °C 102 MPa48 MPa4,43 GPa ParcialPeça funcional sob carga, engrenagem
PAHT-CF (PA12 + fibra)170 °C 92 MPa47 MPa3,86 GPa ParcialCarga e temperatura, com pouca absorção de água
PET-CF182 °C74 MPa 35 MPa4,73 GPa ParcialAlta temperatura sob carga
TPU 95A HFn/a27,3 MPa 22,3 MPa0,0098 GPa ParcialVedação, amortecimento, batente

Fonte: folhas de dados técnicos Bambu Lab, TDS V3.0 (TPU 95A HF: V1.0), com as variantes exatas indicadas na coluna Material. Tração por ISO 527, HDT por ISO 75 sob carga de 1,8 MPa. Os valores são de corpo de prova impresso, medido nos eixos X-Y e Z, e não de polímero injetado. Use a coluna Tração Z para dimensionar: é a direção mais fraca e a que governa a falha. Dimensionamento de peça crítica é feito caso a caso pelo engenheiro responsável.

Três coisas que esta tabela não diz. Os valores são de corpo de prova impresso em condição otimizada. Peça real, com parede fina, preenchimento parcial e concentrador de tensão, entrega menos. Nenhum valor aqui é de fadiga: não use dado estático para dimensionar peça sob carga cíclica. E os valores são resistência à ruptura, não tensão admissível. O dimensionamento aplica coeficiente de segurança sobre a Tração Z, definido caso a caso conforme a criticidade da aplicação. O TPU não aparece com HDT porque é elastômero e a grandeza não se aplica; note a rigidez de 9,8 MPa, três ordens de grandeza abaixo dos demais.

Anisotropia

Peça impressa não tem a mesma resistência nos três eixos.

Este é o fator que mais gera falha em peça de manufatura aditiva, e o que mais é omitido por quem vende impressão 3D. A peça é construída em camadas: dentro da camada o material é contínuo, mas entre camadas a união é por adesão térmica, e essa é sempre a direção mais fraca.

Eixo X · Y (no plano) 100 %

Resistência de referência. O filamento é contínuo nesta direção.

Eixo Z (entre camadas) 47–89 %

Típico ~70%. Os compostos com fibra são um grupo à parte: PA6-CF e PET-CF ficam em ~47%.

Consequência de projeto Orientação

A peça é orientada na mesa para que a carga principal não atravesse camadas.

O que isso significa na prática: a mesma peça, no mesmo material, suporta cargas diferentes conforme a posição em que foi impressa. Por isso a orientação é decisão de projeto, e fica registrada junto com o arquivo para que a segunda produção saia igual à primeira. Faixa calculada a partir das folhas de dados do fabricante (Tração Z ÷ Tração X-Y da tabela acima).

Umidade e ataque químico

Dois fatores que derrubam peça em planta e quase ninguém menciona.

Absorção de umidade. Nylon absorve água do ambiente, incha e perde rigidez: o PA6-CF absorve 2,35%, contra 0,88% do PAHT-CF e 0,37% do PET-CF. Em ambiente portuário, de maresia ou de lavagem frequente, isso muda a cota e o comportamento da peça ao longo do tempo. Quando o ambiente é úmido e a peça precisa de nylon, indicamos o PAHT-CF, que absorve menos de metade e mantém a propriedade mecânica com umidade. Quando não precisa ser nylon, o PET-CF absorve menos ainda.

Ataque químico. Soda, ácido, cloro, solvente e óleo quente afetam cada polímero de forma diferente, e não existe material que resista a tudo. Os nylons com fibra, por exemplo, aguentam bem óleo e graxa, mas não resistem a ácido nem a álcali. Numa planta de celulose isso elimina o material de boa parte das aplicações, por mais resistente que ele seja mecanicamente. Informe na consulta o que a peça encontra em serviço. Inclua o produto de limpeza e sanitização, que quase sempre é esquecido e é o que mais degrada peça em indústria de celulose e alimentícia.

Fluência sob carga constante. Polímero sob carga permanente deforma lentamente, mesmo abaixo do limite de resistência, e o efeito acelera com temperatura. Para suporte que fica carregado o tempo todo, isso pesa mais que a resistência de catálogo, e entra na avaliação.

Tolerância e acabamento

O que "±0,2 mm" quer dizer na prática.

É a variação máxima esperada entre a cota do projeto e a peça pronta, a mesma lógica do desenho técnico que você já usa. Para comparação: a espessura de duas folhas de papel é cerca de 0,2 mm.

Isso não significa peça diferente a cada produção. A partir do mesmo arquivo e dos mesmos parâmetros, as peças saem iguais entre si. Arquivo e parâmetros ficam registrados junto com o projeto, para que a segunda encomenda seja idêntica à primeira.

Quando a aplicação exige mais precisão que isso (furo de rolamento, ajuste H7, face de vedação), a região crítica é usinada depois da impressão, e aí a tolerância passa a ser a da usinagem. Isso entra no orçamento e é dito antes, não depois.

CaracterísticaFaixa típicaObservação
Tolerância dimensional geral±0,2 mm ou ±0,2% O maior dos dois. Em peça de 200 mm, ±0,4 mm
Tolerância em furo±0,20 mm Furo tende a sair menor; furo funcional é usinado depois
Altura de camada0,08 – 0,28 mm Camada mais fina dá melhor acabamento e exige mais tempo de máquina
Rugosidade lateralVisível Superfície em camadas; lixamento ou alisamento sob demanda
Roscan/a Rosca impressa só em baixo esforço. Padrão: inserto metálico

Tolerância e acabamento dependem do nosso processo, não do fabricante do filamento. Os valores acima são a convenção do setor para FDM bem calibrado, e são os que assumimos no orçamento. Medimos o desvio real do nosso parque em peça de calibração e informamos o número da sua peça quando a aplicação for sensível a isso.

Não sabe se sua peça cabe neste envelope?

Mande foto, desenho ou a peça física. A análise de viabilidade não tem custo, e inclui dizer que não serve, quando for o caso.

Mandar foto da peça Ver quando 3D não serve
Linha parada? Chame agora